Técnicas de Luta

Segue para recordar, descobrir ou popularizar tecnicas de luta sindical para todas as batalhas, a partir de algumas ideias chaves:

Golpear o adversario, ciente de sua forca de luta e da capacidade de revide do adversario.

Analisar a relacao de poder e: _ Numericamente, como estamos; - Impacto / rejeicao de simpatia a luta por outros trabalhadores, de nossa gente; - Restricoes financeiras, ou seja, recursos financeiros e materiais para continuar a luta.

Evitar o esgotamento de nossas forcas, lutando arduamente desde o inicio, pode ser uma fraqueza: os empregadores, na sua gestao, se programam para esses eventos “esporadicos”: producao movel ou transferivel, retomada da producao em outros lugares, acoes de amarelos, reservas financeiras, repressao juridica, etc.

Saber parar uma luta, evita-se a linha-dura quando a situacao nao e favoravel. Continuar a manter uma minoria nesses momentos, e no final, oferecer ao patrao que manobre os descontentes contra os grevistas. Se ha perda de salario, a retomada dos combates se torna dificil e havera revolta contra qualquer mobilizacao.

Proporcionar um retorno, das lutas ou das reivindicacoes.

Analise da historia, estrategia, objetivos e forcas em jogo: burguesia / empregados (empregadores rigidos ou moderados, trabalhadores reivindicativos ou nao) organizacao / lutas (se os sindicatos sao muito omissos ou radicais, se as lutas beneficiam da experiencia autonoma, etc.).

As lutas são definidas por categorias salariais, sua territorialidade ou por seu conteúdo:

Categoria salarial : lutas de quaisquer trabalhadores como trabalhadores qualificados, trabalhadores dos correios, enfermeiros, padeiros, professores, tecnicos, metalurgicos etc ... chamado lutas de categoria (ramos de profissao mais adequado a nossa proposta). Se a luta e a de uma empresa ou instituicao e diz respeito as reivindicacoes de todos os funcionarios, a luta e inter-categorias.

Territorialidade: Se a luta acontece em uma instituicao, e uma luta local. Exemplos: lutas dos rodoviarios. Uma luta a nivel do grupo esta localizada em varios locais, mas dentro do mesmo grupo. Exemplo: as lutas no grupo Renault, Volkswagem. A luta pode ser a de um setor (industria). Exemplos: setor de saude, metalurgia e quimica. A luta pode ter lugar em todas as linhas de negocios e espacos.

Conteudo: O conteudo de protesto pode ser o equipamento de combate (salarios, pensoes, condicoes e tempo de trabalho, politica ...), (retirada de uma lei, uma critica de uma politica anti-social, a conquista de novos direitos sindicais, a constituicao contra-poder obreiro em uma empresa ...). Pode tambem no curso de misturar 2 aspectos: por exemplo, a simplificacao e padronizacao no topo de uma grade de qualificacao em uma determinada industria. Este material tambem pode reivindicar para promover a unificacao dos trabalhadores na mesma industria e, assim, criar oportunidades para lutas maiores.

A luta tambem pode ser realizada em solidariedade com outras lutas, sem outro motivo.

Os diferentes tipos de lutas :

O protesto verbal : este e o tipo de luta mais simples.

A peticao : E uma escrito denunciando, reclamando, exprimindo um desejo, uma desaprovacao. A peticao pode, por vezes, influenciar para obter uma lista de beneficios, muitas vezes ilusorios e demagogicos. Alguns sindicatos que pouco ou nada fazem, eles se dedicam nas peticoes para uma eleicao ou para manter a consciencia limpa.

A paralisacao : a cessacao da atividade por poucas horas, no maximo. A paralisacao ja expressa a insatisfacao maior, o nascimento de um certo radicalismo. A paralisacao e usada como pressao para as negociacoes de curto prazo ou reivindicacoes menores. Exemplo: a falta de ventilacao, problemas com EPI, etc.

Greve parcial : Parada de alternada de funcionarios. Vantagem: a perda de salario minima, enquanto que para a empresa esta praticamente paralisada, dificultando para pagar seus empregados que se tornam improdutivos ou ociosos. Os empregadores tentarao contratar trabalhadores nao-grevistas ou terceirizados. Se tal se revelar insuficiente, ele vai fechar a empresa por algum tempo, para nao pagar os ociosos.

Operacao tartaruga : a diminuicao da producao a ser menos produtiva quanto possivel.

Greve por excesso de zelo : aplicacao excessiva ou estrita de normas e regimentos travando o funcionamento da producao.

Greve limitada : Os trabalhadores cessao o trabalho por um tempo definido ou limitado.

Greve ilimitada : Paralisacao do trabalho ate que se resolvam as questoes em conflito.

Vantagem : Exprime radicalidade, uma participacao da luta, bloqueando toda ou parte da producao. Inconvenientes: Perda de salarios, importante para os grevistas. A empresa pode continuar a produzir com terceirizados e ou nao-grevistas. A producao podera ser transferida e realizada em outro local.

Piquete : Criacao de barreiras para impedir a naogrevistas de entrar no local de trabalho. As condicoes materiais do piquete sao muitas vezes deploraveis: sem abrigo, sujeita as condicoes meteorologicas. Alguns dos nao-grevistas, por vezes, chegam a entrar ou permanecer preso no interior para garantir a continuacao da producao.

Greve com ocupacao : Os grevistas investindo no setor almejado, evacuam os nao-grevistas, reordenando sua logistica: salas de reunioes, refeitorios, dormitorios, copiadoras, telefones e veiculos.

A luta intra muros : Limitada ao interior da empresa.

Luta extra muros : E a invasao e ocupacao de estabelecimentos ou administracoes publicas favoraveis ao empregador: Ministerio do Trabalho, da Justica, prefeitura, o partido politico local, sede de um jornal. Sindicatos patronais, ambientes residenciais ou do empregador, ate uma empresa que se transferem de producao ou ligada ao conflito.

A luta deve procurar a ajuda e o apoio de nossa gente, explicar as reivindicações e evitar interferências nos salários e / ou com os usuários.

Manifestacao local : Ela revela o conflito, o contrôle popular, mantendo a pressao, ajuda a avaliar o equilibrio de poder.

Manifestacao nacional ou internacional : Segue as mesmas regras como no local, mas em grande escala.

Boatos : Gerar rumores, informacoes de todos os tipos de enfraquecer o adversario.

Descredito : fazer criticas publicas da qualidade dos produtos ou das instalacoes tendo como responsavel o patronato e seu stafe de gerentes.

Sabotagem : Este antigo metodo de luta e realizada de forma rapida e direta. Deve ser manuseado por pessoas conscientes dos riscos ou dos efeitos catastroficos de destruicao e que podem resultar ate no fechamento da empresa. Talvez uma acao menor podera ser feita evitando problemas maiores. Sabotagem e muito eficaz, de baixo custo para os grevistas, muito prejudicial para o empregador. Tenha sempre em mente que o prejuizo deve ser direto para os empregadores, mas nao para os empregados ou os usuarios, como por exemplo, nos servicos de transportes, saude, alimentacao, etc.

Reapropriacao : Recuperacao sob controle dos trabalhadores, dos bens produzidos pela empresa, para o movimento de luta.

Vendas de estoques : Ocupacao e venda de estoques da empresa para retomar a riqueza da luta e indenizacao para os grevistas.

Producao autonoma : Os grevistas utilizam as maquinas da empresa para produzir bens que vendem diretamente para nossa gente, reduzindo o preco, o que ira satisfazer a todos e trazer liquidez para os grevistas.

Trabalho de arrecadacao : usando suas proprias ferramentas, os grevistas fabricam ou prestam servicos com uma taxa que sera colocada no caixa de greve e usada para luta.

O Boicote : Sobre demanda dos trabalhadores na luta contra uma empresa, nao usar ou nao comprar produtos ou servicos oferecidos por essa mesma empresa.

Desobediencia civil : Recusa em cumprir as leis do Estado. Exemplo: apoiar e ajudar as pessoas reprimidas. Nao pagar impostos, recusando-se a mostrar seus documentos de identidade, nao se alistar, etc.

Greve generalizada : situacao de greve que afeta todo um setor ou varios setores de producao ou de uma regiao, pais ou paises agrupados.

Greve Geral : Greve inter-categorias, intersetorial de uma determinada regiao, pais ou internacional. Acao consciente e coordenada, o que o diferencia da greve generalizada. E uma arma, querendo ou nao, defendida por anarcosindicalistas. E o ato ou uma populacao, ela ciente ou nao, anarcosindicalista. Na verdade, nesta fase, as pessoas pretendem lutar para desafiar seus adversarios. Nao se espera resultados eleitorais ou um governo dai resultante, ou promessas futuras. As pessoas lutam, baseando na acao direta, aqui e agora pretendo resolver suas demandas. A marca greve geral e claramente o conflito de classes. Se ela e enorme, maiores as possibilidades de escolha e alteracao da gestao social coletiva.

Greve Geral Insurrecional : Os grevistas, por diversas razoes, formam barricadas e desordem. Em toda parte o povo em armas se subleva, abrindo as perspectivas de uma eventual expropriacao dos capitalistas.

Greve Geral Expropriadora : Os grevistas, mestres das ruas, aproveitam os meios de producao, de troca e de comunicacao. Empresas, o comercio, os governos estao sob o controle das comissoes de luta. Este e o preludio para uma profunda mudanca social a partir de onde, na nossa opiniao, e o devir do comunismo libertario.

Alguns Conselhos

Foi apresentado uma sequencia tecnicas de lutas feitas a partir da cultura sindical. E necessario discernimento para usalas. E e necessario pensar que cada tecnica corresponde a uma necessidade, uma demanda. Inutil desenvolver enormes acoes para pequenas revindicacoes. Em cada nivel de demanda, uma tecnica correspondente.

Aplicando uma tecnica e avaliando-a insuficiente, gradualmente segue para outa mais ampla, mais radical e assim sucessivamente, mantendo sempre a pressao e crescendo sem, no entanto expor as fraquezas que possam servir a nossos adversarios.

Cuidado com os radicais de aparencia, analisando quais espalham radicalismo com sinceridade e quais nao. Ha os que crescem no amargo de um conflito inadequado, ou tentam jogar duro para ficar com os grevistas para obter a sua confianca e, posteriormente, acabar com o movimento, ou capitalizar essa confianca para o processo eleitoral. Se eles estao em conluio com o inimigo, o conflito que estoura pode ser duro, resultando em falhas que serao usadas posteriormente pela patronato para justificar punicoes administrativas, descontos em folha e ate demissoes, sufocando e inibindo nosso movimento em revindicacoes futuras.

Analisar as relacoes de poder. Exemplo: a proximidade das eleicoes ou a uniao politica pressionando o governo para evitar conflitos.

Analisar o nivel de descontentamento do publico ou a situacoes financeiras e economicas da empresa em que os grevistas querem agir.

Reveja o estado do estoque da empresa, sao importantes, o empregador vai continuara a vender seus produtos e, simultaneamente, reduzira sua folha de pagamento (salarios) por motivos de greve. Em contrapartida, os estoques pequenos ou pereciveis incomodam muito para o patronato. Atencao para os acordos judiciais sobre o tempo de trabalho (flexibilidade) que beneficiariam a duracao legal e, na verdade, reproduzira mais rapido inventario e cumprir as entregas atrasadas, apos o conflito.

Reveja o status dos pedidos, a importancia das reservas financeiras, oportunidades para a transferencia da producao para outro local. Nos podemos preparar o terreno para uma luta usando tecnicas combinadas ou nao como a Operacao Tartaruga, Paralisacoes, Sabotagem, Greve por Zelo para reduzir a producao.

Evite a repressao, garanta que os grevistas nao sejam identificados e que o adversario nao saiba tanto quanto possivel, quem e quem e quem faz o que. Obscureca o numero possivel de pessoas no conflito, as datas e os locais das reunioes. Decidam a acao de ultima hora para evitar a divulgacao.

Opte por um Comite de Luta mais amplo do que uma secao sindical. O Comite de Greve e uma unidade e ser gerenciada sempre pela Assembleia Geral dos grevistas. Multiplicar as comissoes de midia, de comida, de propaganda, de financas, de producao autonoma, trabalho de apoio. Isso forca o adversario a multiplicar suas intervencoes contra os grevistas.

Aplicar a democracia direta nas assembleias gerais para impedir que um pequeno grupo se apodere do controle para outros fins que nao aqueles decididos pela Assembleia Geral. E necessaria muita atencao naqueles que se dizem ou se advogam como “direcao”, “partido” ou “vanguarda” sindical ou dos trabalhadores, mesmo que “legais”, nao podem atender aos interesses alheios a nossa gente. Ao perceber conchavos e reunioes fechadas com gente suspeita, documentem e denunciem essas manobras.

Inutil sera enviar pessoas para discutir com o chefe, o diretor, o Conselho de Administracao. Nao e necessario tambem enviar representantes do movimento ou especialistas em negociacao. Eles sao inuteis, a menos que se acredite na sua utilidade, que e possivel forca-lo a delegacao de autoridade e persuadi-lo da necessidade dos sindicatos reformistas que sao especialistas nessa pseudo-luta. A burguesia sabe usar isso e usa essas ferramentas para analisar e amortizar os conflitos.

Ex: a producao lenta ou de ma qualidade de trabalho, absenteismo e sabotagem estao aumentando, o patronato vai concluir muito rapidamente que os funcionarios estao insatisfeitos, embora eles neguem ou escondam. Essas acoes “grevistas” nao quebraram qualquer coisa que exija “representantes” eleitos para ir ter com o patronato, o proprio patronato sabe o que ocorre e que sera feito. Delegados ou representantes desses trabalhadores nao serve para nada.

Enviar a imprensa, a populacao e ao empregador documentos assinados pelo Comite de Luta com as suas revindicacoes.

Se o empregador queira negociar, propor ou satisfazer alguma revindicacao, ele devera dar a conhecer as suas propostas atraves da imprensa, publicando ou falar para os empregados em uma assembleia. A comissao ira responder por escrito. Inutil enviar delegados para uma negociacao, que sao susceptiveis de serem satisfeitos com migalhas ou defender suas ideias ao inves de se manterem na pauta reivindicativa, especialmente se ele for vinculado ao sindicalismo reformista, “legalista” e conciliatorio.

Forcar o adversario a assinar um acordo de nao repressao apos o conflito. Obrigar o pagamento dos dias de greve. Tentar minimizar o impacto financeiro do conflito para os trabalhadores, desta forma, se o operador tentar contra-atacar, os empregados nao enfraquecidos, podem provocar um novo conflito.

Nesse sentido, fazer feiras, confraternizacoes, festivais de apoio financeiro a luta. Tomar medidas que solicitem o apoio material para a luta.

Legalismo - Ilegalismo

Deve usar quanto possivel da lei e evita problemas de eventual acao judicial. Mas devemos observar que a lei nao se acomoda aos nossos interesses. Muito rapidamente, para atender as suas reivindicacoes, os trabalhadores deverao agir ilegalmente: piquetes, ocupacoes, a producao autonoma. Mas precisamos analisar com calma as vantagens e implicacoes.

Voces descobrirao rapidamente que o direito legitimado pelo Estado nao e neutro e serve acima de tudo, aos interesses da burguesia somente.

Partindo da ideia de Bakunin "a lei e o fato ilustrado pela forca”, o legal nos sera imposto e devemos estar cientes disso. Busquemos entao um movimento legitimo que possa bater de frente com o legalismo.

Violência - Não Violência

Na ocasiao nao e necessariamente uma coisa ou outra, ele podera ser tanto um conflito pacifico com ataques violentos ou vice-versa.

As vezes, conflitos violentos podem ser determinados e eficazes, as vezes nao. Protestos em massa bom e sabio pode ser eficaz, mas o violento tambem. E uma questao de contexto e escolha do povo em luta.

No entanto, a desconfianca podera provocar respostas violentas (dos grevistas ou dos adversarios).

Os anarco-sindicalistas sao adeptos de um mundo sem violencia, sem armas, como e o seu objetivo, mas infelizmente, vemos que a resistencia agressiva dos empregados ativos e uma violencia legitima contra a repressao burguesa como demissoes, guerras, prisoes, a poluicao ... etc.

Organizar

Devemos tambem considerar o modo de organizacao adequada para lutar.

O sindicalismo atual de esquerda defende realmente os interesses dos trabalhadores ou o quais outros interesses? Esta preparado para a luta, de defende-la, sem trazer os modelos de conciliacao e mediacao favoraveis aos burgueses ? E pacifico ? E radical ? A protecao legal dos sindicatos e eficaz? Sindicatos oficiais garantem a protecao dos sindicalizados ?

Aparentemente, dadas as milhares demissoes, nao. Na verdade, eleitos ou nao, protegido ou nao, participando de atividades ilegais, ja perdem o amparo da lei. Assim, as protecoes e legalidade, neste contexto, sao inuteis.

Pior, tentando proteger-se atraves dos meios legais, levam os adeptos destas praticas de cumprimento da legislacao que e favoravel aos empregadores, de nao participar em lutas fora do quadro legal, portanto, defendem a legalidade burguesa como contra-revolucionarios.

Tocando a linguagem dupla, legalista e ilegal, de facto, muitas vezes para os diretores sindicais ou politicos, consciente ou inconscientemente, sao obrigados a defender o quadro juridico, assim, fortalecer e silenciar os seus criticos para manter a protecao legal que gozam. E acima de tudo, quando, o quadro juridico e o amparo da lei proporciona beneficios (que nao sao poucos) para os individuos, torna-se dificil de rejeitar.

Mas nao tenha medo, se a luta ameacar a burguesia, ele ira ignorar as leis e direitos, levando aos diretores sindicais refletirem sobre seu proprio direito, que nao valera mais nada.

Por um militante anarco-sindicalista.

COB_AIT_2019-05-15